
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) se manifestou em defesa da técnica de radiologia, que denunciou ter sido agredida pelo senador Magno Malta (PL-ES), durante um exame médico no Hospital DF Star. Em nota, o conselho ressaltou que nenhuma posição ou condição autoriza agressões à profissional de saúde.
“Toda conduta dessa natureza deve ser tratada com o rigor da lei. A violência sofrida por trabalhadores da saúde no exercício de suas funções ultrapassa qualquer limite aceitável e destaca um problema que não pode ser tratado como pontual. Profissionais de Enfermagem estão diariamente na linha de frente do cuidado, atuando com responsabilidade técnica, sensibilidade e compromisso com a vida”, destacou o Coren-DF.
O conselho afirma que as atitudes do ocorrido exigem uma apuração rigorosa, além da responsabilização pela agressão.
Veja a íntegra da nota:
Nas redes sociais, o presidente do Coren-DF, Elissandro Noronha dos Santos, também se manifestou sobre a denúncia. Para ele, a agressão do senador é um “cúmulo” e um agravo público aos técnicos de enfermagem.
“Coloco o Coren-DF, assim como o seu corpo jurídico à disposição dessa técnica para poder orientá-la nos próximos passos. Vamos requerer nosso direito. Tem que ser feito justiça”, completou.
O senador também foi às redes sociais e negou as acusações. Ele gravou um vídeo dizendo que ainda está internado e que será avaliado por 12 horas.
“Vocês me conhecem. Eu nunca encostei a mão em ninguém, nem nas minhas filhas, nem em nenhuma mulher. Isso é falsa comunicação de crime”, disse.
O parlamentar também se pronunciou por meio da equipe jurídica, que emitiu uma nota. No documento, a defesa diz que Malta encontrava-se sob forte medicação, com a cognição comprometida. Nesse contexto, teria reagido ao sofrimento físico – e não à profissional –, acionando imediatamente o médico responsável por seu acompanhamento.
Entenda o caso
- Segundo a vítima, a agressão ocorreu durante um exame, na última quinta-feira (30/4), mesmo dia em que o boletim foi registrado. O hospital informou que abriu apuração administrativa sobre o caso.
- De acordo com a profissional, o senador estava internado para realizar uma angiotomografia de tórax e coronárias. Ela era responsável por conduzi-lo até a sala de exames, realizar a monitorização e iniciar os procedimentos, incluindo o teste de acesso venoso com soro;
- Ao iniciar a injeção de contraste, o equipamento identificou uma oclusão e interrompeu automaticamente o procedimento. Ao verificar, constatou o extravasamento do líquido no braço do paciente;
- Ao explicar a necessidade de compressão no local, o parlamentar teria reagido de forma agressiva;
- Na ocasião, Malta teria se levantado do aparelho e, quando a profissional se aproximou para prestar assistência, desferiu um tapa em seu rosto, chegando a entortar seus óculos, além de chamá-la de “imunda” e “incompetente” – ambas situações negadas pelo senador.
“Não houve ato de violência”
O senador está internado após sofrer um mal súbito durante o deslocamento ao Congresso Nacional. Os advogados ressaltam que, em nenhum momento, teria havido qualquer ato de violência física ou verbal contra a técnica. A defesa acrescenta, ainda, que a versão apresentada pela profissional não encontraria respaldo em elementos probatórios.
Ainda em nota, os advogados de Malta também sustentam que houve falha no procedimento realizado pela técnica, o que estaria evidenciado na evolução clínica do paciente: a trombose e o hematoma no membro superior seriam consequências objetivas de uma administração inadequada do contraste.
Imagens:
Source link
https://digital.servemnet.com.br/coren-df-sai-em-defesa-de-tecnica-que-denunciou-magno-malta-justica/?fsp_sid=4597


