Câmara Legislativa homenageia iniciativas de defesa dos direitos humanos com Prêmio Marielle Franco





Às vésperas dos oito anos da morte da vereadora Marielle Franco, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na noite da última sexta-feira (13), sessão solene para a entrega do Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos. Promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa, a cerimônia reuniu autoridades, homenageados e representantes da sociedade civil no plenário da Casa, em um evento marcado por manifestações culturais e discursos em defesa da cidadania.


Presidente do colegiado e autor da resolução que instituiu a premiação, o deputado Fábio Félix (PSOL) destacou o caráter simbólico da iniciativa, que chega à sua sétima edição. “Esta é a sétima vez que nós nos reunimos, em sessão solene, em memória e em pedido de justiça para Marielle Franco, mas também para o seu legado nos ajudar a premiar pessoas e reconhecer legados tão importantes”, afirmou.


O parlamentar também ressaltou que, apesar do assassinato, as pautas defendidas por Marielle seguem mobilizando diferentes setores da sociedade. “O seu corpo físico foi interrompido da pior forma possível, mas ela não o foi do ponto de vista das suas pautas; e o nosso desafio é fortalecer quem, de alguma forma, floresce Marielle Franco todos os dias”, completou, ao citar a atuação de movimentos ligados à população LGBTQIA+, aos povos de terreiro, à educação e à cultura.


Reconhecimento a iniciativas diversas


Nesta edição, o prêmio contemplou 13 pessoas e entidades, distribuídas entre as categorias organização da sociedade civil, ativismo, arte e cultura, academia, empresa, jornalismo e especial. As iniciativas reconhecidas refletem a diversidade de frentes de atuação na promoção dos direitos humanos no Distrito Federal.


Na categoria organização da sociedade civil, foram homenageados o Coletivo das Yás do DF e Entorno, a Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTI+ (Renosp-LGBTI+), a Associação Brasileira do Pito do Pango (Abrapango) e a Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-DF.


Criado em 2019, o Coletivo das Yás atua na preservação de tradições de matriz africana e no fortalecimento do papel social dos terreiros. Integrante do grupo, Mãe Baiana de Oyá destacou a atuação direta junto a populações vulneráveis. “A gente está onde o governo não consegue chegar; a gente lida todos os dias com mulheres que apanham, com crianças sem um alimento”, afirmou.


Já a Renosp-LGBTI+, que reúne profissionais da segurança pública de diferentes regiões do país, foi reconhecida pelo trabalho de promoção de direitos dentro das instituições. “Nós somos policiais e defensores de direitos humanos: essas são pautas que jamais podem se excluir”, ressaltou o presidente da entidade, Anderson Cavichioli, ao destacar ações de capacitação e prevenção da violência.


A Abrapango, fundada em 2023, atua na defesa do acesso seguro à cannabis medicinal e no enfrentamento de estigmas associados ao tema. Para a diretora Mônica Barcelos, o reconhecimento fortalece a atuação da entidade. “Este prêmio, para nós, é combustível para quebrarmos estigmas, rompermos ciclos históricos de violência e exclusão”, disse.


Também homenageada, a Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-DF desenvolve ações de formação e articulação institucional voltadas à inclusão e ao combate à discriminação. “Ou a gente ocupa ou é invisibilizado”, afirmou o presidente do colegiado, Gabriel Borba.


Educação, cultura e transformação social


Na categoria ativista, foram reconhecidas trajetórias ligadas à educação e à transformação social. Com mais de 30 anos de atuação na rede pública, a professora Patrícia Ramiro destacou a importância da escola pública na promoção da igualdade. “Acredito que a gente não faz justiça social sem educação pública democrática, laica e de qualidade para todos”, afirmou.


A psicóloga Cynthia Ciarallo, que atua há mais de duas décadas na interface entre psicologia e justiça, também foi homenageada. Em sua fala, defendeu mudanças nas práticas institucionais. “Nós temos muitas ações que devem ser mudadas e transformadas”, declarou.


Em arte e cultura, o prêmio reconheceu a fanfarra Maluvidas, o Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante e o bloco Rebu — iniciativas que utilizam a cultura como forma de resistência e ocupação do espaço público. Representando o Rebu, Dayse Hansa ressaltou o caráter político das manifestações culturais. “Quando a gente coloca um bloco na rua é sobre política, é sobre não deixar interromper nossa alegria”, afirmou.


Na categoria academia, a professora da Universidade de Brasília Andrea Gallassi foi homenageada por pesquisas voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente no contexto do uso de drogas. “Me sinto muito honrada e muito acolhida neste espaço”, disse.


Já na categoria empresa, a Birosca do Conic foi reconhecida por sua atuação como espaço de diversidade e promoção do direito à cidade. “A Birosca não é só um empreendimento que visa ao lucro, ela tem um propósito: a promoção do direito à cidade e à cultura”, destacou Igor Albuquerque, um dos fundadores.


Comunicação e trajetória política


No jornalismo, a diretora de redação Ana Dubeux e a equipe do Correio Braziliense foram premiadas pela cobertura sobre feminicídio. Representando o grupo, a jornalista Adriana Bernardes destacou o papel social da imprensa. “O combate ao feminicídio exige muito mais do que manchetes de impacto, exige contar as histórias e oferecer serviço”, afirmou.


A categoria especial homenageou a deputada federal Érika Kokay (PT/DF), reconhecida por sua trajetória na defesa dos direitos dos trabalhadores e de grupos historicamente vulnerabilizados. Ao agradecer a honraria, a parlamentar ressaltou o significado do prêmio. “É muito bom levar no peito, na alma e nas mãos este prêmio de direitos humanos”, declarou.


Ao longo da cerimônia, o tom predominante foi de reafirmação do compromisso com a memória e o legado de Marielle Franco, cuja atuação segue inspirando iniciativas voltadas à promoção da justiça social, da igualdade e dos direitos humanos no Distrito Federal.






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