Cidade americana cria iniciativa comunitária para exterminar mosquitos
Iniciativa contra mosquitos nos EUA aposta em ação coletiva e levanta debate sobre impactos ambientais e aplicação no Brasil
Uma iniciativa comunitária criada em Washington, D.C., nos Estados Unidos, tem chamado atenção por propor uma estratégia diferente para reduzir a população de mosquitos sem recorrer à pulverização de inseticidas.
Em vez de combater os insetos com produtos químicos, o projeto aposta na eliminação de criadouros, no uso de armadilhas e no engajamento da vizinhança para diminuir a circulação das espécies que transmitem doenças.
Embora os mosquitos sejam conhecidos pelo papel na transmissão de enfermidades como dengue, zika e chikungunya, especialistas alertam que o grupo é muito mais amplo do que as poucas espécies responsáveis por problemas de saúde pública.
Com cerca de 3,7 mil espécies conhecidas no mundo, apenas uma pequena parcela representa risco para os seres humanos, enquanto a maioria exerce funções importantes nos ecossistemas.
O projeto Itty Bitty Mosquito Committee (“pequeno comitê dos mosquitos”, em português) surgiu em Capitol Hill e foi idealizado pela jardineira Michelle Mingrone. A proposta reúne moradores para eliminar água parada, utilizar larvicidas biológicos quando necessário, instalar armadilhas e incentivar o plantio de espécies nativas, reduzindo os criadouros de mosquitos sem recorrer ao uso rotineiro de inseticidas.
Segundo Michelle, o foco não é eliminar todos os mosquitos, mas controlar apenas as espécies invasoras e transmissoras de doenças.
“Reduzir os criadouros é cerca de 80% da solução. As armadilhas ajudam, mas o verdadeiro controle acontece quando toda a vizinhança participa”, afirma.
Apesar da fama negativa, os mosquitos exercem funções ecológicas relevantes. Durante a fase larval, participam da reciclagem de matéria orgânica em ambientes aquáticos e servem de alimento para peixes, anfíbios e outros invertebrados. Já os adultos integram a dieta de aves, morcegos, aranhas e libélulas.
Além disso, machos e parte das fêmeas alimentam-se de néctar, contribuindo para a polinização de algumas plantas.
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