A maior extinção que a Terra já passou não foi a dos dinossauros

A maior extinção que a Terra já passou não foi a dos dinossauros

A maior extinção que a Terra já passou não foi a dos dinossauros

Evento ocorrido há 252 milhões de anos foi o mais devastador da história do planeta e eliminou a maior parte da biodiversidade

Quando se fala em extinção em massa, a maioria das pessoas pensa imediatamente no asteroide que atingiu a Terra há 66 milhões de anos e levou ao desaparecimento dos dinossauros. Mas esse foi apenas um dos cinco grandes episódios que mudaram drasticamente a história da vida no planeta. E, ao contrário do que muitos imaginam, nem foi o mais devastador.

Ao longo de cerca de 4,5 bilhões de anos de existência da Terra, diferentes crises ambientais eliminaram grande parte das espécies e transformaram completamente os ecossistemas. Mas o que faz um evento ser considerado uma extinção em massa e por que esses episódios marcaram tanto a evolução da vida?

Segundo o paleontólogo Julian Silva Junior, da Universidade de São Paulo (USP), uma extinção em massa ocorre quando pelo menos 75% das espécies desaparecem em um intervalo relativamente curto do ponto de vista geológico.

“Além da quantidade de espécies eliminadas, esses eventos têm alcance global, afetam diferentes grupos de organismos e provocam uma reorganização profunda dos ecossistemas. E ‘rápido’, para a geologia, pode significar desde alguns anos até milhares ou centenas de milhares de anos”, explica.

Ordoviciano–Siluriano, há cerca de 444 milhões de anos. Uma intensa glaciação e a queda do nível do mar provocaram a extinção de grande parte da vida marinha.

Devoniano tardio, entre 372 e 359 milhões de anos atrás. Mudanças climáticas e a redução do oxigênio nos oceanos afetaram principalmente recifes de corais e peixes.

Permiano–Triássico, há aproximadamente 252 milhões de anos. Considerada a maior extinção em massa da história, foi causada por intenso vulcanismo, aquecimento global e acidificação dos oceanos, eliminando cerca de 90% das espécies marinhas.

Triássico–Jurássico, há cerca de 201 milhões de anos. A intensa atividade vulcânica e as mudanças climáticas favoreceram a extinção de diversas espécies e abriram espaço para a expansão dos dinossauros.

Cretáceo–Paleógeno, há aproximadamente 66 milhões de anos. O impacto de um asteroide, associado a episódios de vulcanismo, levou à extinção dos dinossauros não avianos e de muitas outras formas de vida.

Embora esses eventos tenham provocado perdas gigantescas de biodiversidade, eles não aconteceram pelos mesmos motivos. A paleontóloga Flavia Callefo, pesquisadora do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que a ciência já sabe que não existe uma única causa para todas as extinções em massa.

“As mudanças climáticas aparecem em todos esses eventos, mas elas costumam atuar em conjunto com outros fatores, como grandes episódios de vulcanismo, alterações nos oceanos e, em um único caso, o impacto de um asteroide”, afirma.

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